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REVISTA PUNKTO skip to main | skip to sidebar Home Frontpage revista issues Arquivo Artigos Online Actividades Actions esquina moderna inventory English articles “Marcelo Expósito. Conversación com Manuel Borja-Villel” \ Gerbert Verheij ////////////////////////////////////// “Marcelo Expósito. Conversación com Manuel Borja-Villel” Gerbert Verheij ////////////////////////////////////// A partir do livro “Marcelo Expósito. Conversación con Manuel Borja-Villel” (Madrid: Ediciones Turpial., 2015) este texto defende a necessidade de um projecto comum, crítico e comprometido, para a cultura portuguesa. Entre resenha e ensaio, pretende contribuir para um pensamento político da cultura em Portugal. ////////////////////////////////////// 1. Podem os museus, e as institui??es culturais em geral, p?r-se ao servi?o das pessoas? Como podem responder aos desafios políticos do presente? E como transformá-los? A complexa rela??o entre arte, políticas públicas da cultura e democracia é debatida ao longo desta larga conversa-entrevista entre Manuel Borja-Villel e Marcelo Expósito. O primeiro foi director da Fundació Antoni Tàpies (1990-1998), depois do Museu d'Art Contemporani de Barcelona (MACBA, 1998-2008), e desde 2008 do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía. Nas três institui??es introduziu mudan?as relevantes, colocando as primeiras duas no mapa pelo carácter inovador e iconoclasta das exposi??es que produzia. Ao mesmo tempo a sua gest?o caracterizava, e caracteriza-se, por uma constante vontade de diálogo com a sociedade civil e os movimentos activistas, abrindo as institui??es à cidadania, ao debate e ao conflito. é especialmente sobre esta dimens?o “política” da sua actua??o que incide a tónica desta conversa, guiada por Marcelo Expósito, artista e activista, entre outras ocupa??es (http://marceloexposito.net). Expósito avisa no prefácio que lhe interessou sobretudo focar os elementos mais fecundos do percurso de Borja-Villel, e menciona que partilham uma rela??o profissional e até de amizade de longa data. Há um grande respeito mútuo que repassa por entre as linhas. Dentro destas balizas – de um essencial acordo de fundo – o livro consegue manter o vigor crítico. é também a partir deste reconhecimento global da validade e pertinência das quest?es abordadas e da perspectiva adoptada que a presente resenha/ensaio foi escrita [1]. Pertinência entendida domesticamente, para uso lusitano. N?o tenho a inten??o de propor este livro como um receituário pronto-a-servir, muito menos uma panaceia para todos os nossos males. As respostas que Borja-Villel desenvolveu na sua prática museográfica devem muito aos contextos específicos em que trabalhava, e também têm os seus limites, que talvez pe?am mais aten??o do que lhes foi dada. Mas uma das coisas com que este livro nos brinda é a clareza com que se colocam certas quest?es que, a meu ver, s?o vitais para pensar a cultura hoje desde uma posi??o crítica e comprometida. Dá uma ideia do tipo de debate e projecto que faz falta no sector cultural português. O livro age em três planos diferentes. Por um lado, é uma biografia intelectual e profissional de Borja-Villel; por outro, também prop?e uma história das sucessivas configura??es entre arte, política públicas da cultura e a democracia espanhola desde 1990. Apresenta-se, por fim, como um repertório de reflex?es que se pretendem úteis para pensar como a cidadania pode introduzir mudan?as institucionais e como se podem governar as institui??es pondo-as ao servi?o do bem comum. Estas últimas quest?es colocam-se com urgência em Espanha, uma vez que as várias formas de organiza??o cidad? já come?aram a tomar as institui??es políticas, julgadas em crise de legitimidade democrática. Desde o parlamento nacional e europeu (Podemos) ao governo municipal de Madrid, Barcelona ou Sarago?a, a quest?o de como fazer a passagem da crítica social ao governo das institui??es, de como governar através dessa mesma crítica e em rela??o com os movimentos sociais, coloca-se com toda a acuidade. A cultura pode assumir aqui um duplo papel. Por um lado, a constru??o comum de uma nova cultura democrática é, neste projecto, essencial. Mas a cultura também se apresenta como um relevante campo de experimenta??o onde testar novas formas de relacionar as institui??es com a cidadania, de mobilizá-las como activador social a fim de as transformar em institui??es verdadeiramente democráticas. 2. Esta é uma perspectiva em que a actua??o de Borja-Villel se apresenta como relevante exemplo de reflex?o. Se à primeira vista este cenário parece algo irreal em Portugal (mas pode argumentar-se que algo neste sentido come?a a pedir aten??o desde as últimas elei??es), há n?o obstante muitas quest?es que este livro p?e e debate que também aqui s?o relevantes. O interesse maior deste livro é, desde logo, a de poder contribuir a uma cultura crítica face às próprias institui??es culturais, uma cultura que promove a sua própria democratiza??o a partir de uma interroga??o prévia sobre que cultura queremos, e para quê. Como Expósito afirma no prefácio, para lá de lamentar mais uma vez os cortes na cultura, é preciso dar a volta e mudar as perguntas a propósito da cultura na crise. Fazem falta novos desígnios que, em vez de fechar-se na ideia de cultura como um território exclusivo de profissionais e expertos, a abrem à tarefa de reconstruir a democracia em comum. E esta é uma tarefa urgente. Refiro só dois exemplos recentes – duas anedotas, quase – que enquanto a mim p?em o dedo na ferida e ilustram como falta reconstruir, desde a própria cultura, uma no??o crítica de cultura que valha a pena defender. Por um lado, a Jorge Barreto Xavier é dado amplo espa?o no Expresso (E, 2 de Abril de 2016) para proferir, a propósito de um recente livro seu sobre o tema (A cultura na vida de todos os dias, da Porto Editora), uma série de incoerentes dislates sobre o tema. De uma pergunta a outra contradiz-se com uma ingenuidade quase desarmante: a cultura é tudo que n?o seja biológico, e é desde a cultura que se pode salvar a política e a economia (que ser?o ent?o for?as naturais?). Consegue proferir pérolas como esta: “[Karl Polanyi] explicava que tanto os neoliberais [na segunda Guerra Mundial!] como os socialistas tinham problemas de percep??o da complexidade e que, ao mesmo tempo, o trabalho de organiza??o das sociedades a partir da simplifica??o da vida à volta de um conceito de economia e meramente da ideia da auto-regula??o em mercado tinha criado esses problemas.” Sic erat scriptum, pobre do Polanyi. Pode parecer uma perda de tempo dedicar todo um parágrafo a alguém que dá múltiplas mostras de que n?o só n?o domina o tema como nem sequer a gramática. Mas além de que há pouco esta personagem ainda ocupava fun??es de secretário do Estado da cultura, a ausência de qualquer contesta??o à concep??o “romantica” e inócua da cultura que delimita (t?o abrangente e ao mesmo tempo quase sem consistência) p?e esta quest?o: Com defensores assim, quem precisa de inimigos (“neoliberais” ou outros)? Se falta um discurso crítico que se enfrenta a este género de elucubra??es, como pensar sequer num discurso capaz de fundamentar um projecto cultural a médio ou longo prazo? E n?o vamos lá com posi??es individuais (que também as há esclarecidas, evidentemente); sem projecto comum – sem a constru??o comum de um projecto – capaz de incidir para além dos limites do campo dos “culturalmente esclarecidos” o sentido comum sobre o que é e para que serve a cultura fica a mercê dos Barretos Xavier deste mundo. Num outro plano, pode-se referir a rápida precariza??o de sectores-chave da articula??o das institui??es culturais com “o público”. Um exemplo representativo e preocupante é o dos servi?os educativos dos museus de arte. A reforma em curso do servi?o educativo da Gulbenkian (de colaboradores a falsos recibos verdes a empresas intermediárias competindo entre si) é só o exemplo mais recente do que cinicamente costuma ser apresentado como “boas práticas”, introduzindo de facto um modelo de moldes claramente neoliberais. (O caso melhor documentado é o do Museu de Arte Contemporanea de Serralves, ver http://ganhemvergonha.pt/search/serralves.) é evidente a contradi??o entre o discurso que se costuma propagar desde estas institui??es sobre a democratiza??o do museu e a conquista de novos públicos, e o factual desprezo com que os profissionais que trabalham nesta área s?o tratados. é extremamente preocupante que a Gulbenkian “externalizou” agora mais uma das fun??es que desempenhou durante décadas de forma exemplar [2]. Isto raramente chega a articular-se em palavras públicas, muito menos a aprofundar-se no que implica de impossibilidade de pensar o cultural sem o económico e o político. Imp?e-se, também aqui, pensar criticamente o que vale a cultura, que papel a arte e a educa??o devem ter respectivamente a ela e à situa??o política, e como reinventar as institui??es para dar cabimento a estas quest?es. 3. O livro, introduzido por um texto de reflex?o de Expósito sobre cidadania, política e cultura, é dividido em três capítulos que correspondem cronologicamente às três institui??es dirigidas por Borja-Villel. Em cada capítulo, fornecido de uma contextualiza??o histórica de Expósito, há certas quest?es que se imp?em como centrais. Finaliza com um epílogo algo apressado e incoerente do próprio Borja-Villel, que n?o está ao nível do restante livro. No primeiro capítulo, dedicado à direc??o da Fundació Antoni Tàpies, a quest?o central é se é possível governar uma institui??o exercendo a crítica. Borja-Villel chegou ao museu após uma estadia de quase uma década em Nova Iorque, onde se doutorou em História da Arte. Conheceu, entre outros, em primeira m?o as pessoas e ideias que se agregaram à volta da revista October: Benjamin Buchloh, Linda Nochlin, Rosalind Krauss, Douglas Crimp, Rosalyn Deutsche... Foi de alguma forma o projecto de questionar a história canónica da modernidade artística do século passado e as no??es, ent?o ainda pouco difundidas em Espanha, de crítica institucional e arte pública crítica, que trouxe consigo quando foi convidado para director da Tàpies [3]. Borja-Villel incorporou estas no??es num museu à partida pouco propício a isto, n?o só como conteúdo, mas sobretudo no sentido de modificar a natureza do museu, tornando-o uma institui??o experimental onde se pudesse reflectir sobre as próprias transforma??es que as fun??es do museu estavam a sofrer. Na prática, introduziu a ideia de que a programa??o museográfica deve ser um exercício de diálogo crítico com o lugar onde a institui??o se situa. Neste sentido, trouxe à Tàpies figuras como Hans Haacke, Wodizko, Marcel Broodthaers ou David Harvey, ao mesmo tempo que investia fortemente (muitas vezes com os mesmos convidados) numa cartografia alternativa e crítica de uma cidade que acabava de sair euforicamente dos Jogos Olímpicos de 1992. O segundo capítulo, dedicado ao MACBA, tem por tema central se e como o museu pode ?empoderar? a sociedade. Borja-Villel define as suas estratégias de programa??o face à ideia da crise provocada pela globaliza??o neoliberal e a emergência de novos movimentos sociais e formas de protesto cidad?o. Neste sentido, desbordava os limites da crítica institucional, indo ao encontro destes novos movimentos sociais. Um exemplo clarificador da forma que esta rela??o tomou foi o polémico papel desempenhado pelo MACBA na Campanha contra o Banco Mundial em 2001, em cujo enredo dramático aparece, entre outros, a polícia de choque a partir os vidros do foyer do museu [4]. Estas ideias também se reflectiam numa série de “exposi??es-ensaio” e nas políticas de aquisi??o, que se abriam à arte conceptual (predominantemente política), ao cinema e à fotografia. Um dos aspectos mais relevantes da programa??o será sem dúvida a centraliza??o no projecto museográfico de uma no??o radical de pedagogia, que tem a emancipa??o cidad? no seu horizonte. A transforma??o do departamento educativo num Departamento de Programas Público tinha por objectivo fazer do museu um verdadeiro espa?o público, aberto ao dissenso e à crítica, às dinamicas conflituais da sociedade [5]. Os seminários, conferências e grupos de estudo tornaram-se por isso centrais, apostando de forma clara em trazer o político (através das críticas da globaliza??o e da democracia, o pós-colonialismo ou o feminismo) para dentro do museu. A passagem de nomes como Chantal Mouffe, Toni Negri, Gayatri Spivak, Judith Butler, Naomi Klein ou Jacques Rancière é testemunho. O último legado de Borja-Villel no MACBA é, neste sentido, o Programa de Estudios Independientes (http://www.macba.cat/es/pei), que de alguma forma busca formalizar a estrutura crítica que durante a sua direc??o se montou. O capítulo final, dedicado à sua actua??o na Reina Sofía e por isso ainda em aberto, tem como quest?o chave se a história da arte pode servir às pessoas. Estas preocupa??es reflectem-se na reorganiza??o das salas dedicadas à Guernica, de Picasso, dando larga aten??o ao contexto político da sua produ??o e à arte popular, mas também na clara introdu??o de práticas de resistência nas exposi??es temáticas. O papel político dos relatos sobre a arte e a cultura é aqui claramente assumido, na medida em que (também) constrói e incide sobre um sentido comum sobre passado e presente, La historia del arte es un espacio donde tiene lugar un litigio político entre relatos. Las imágenes artísticas y el relato que proyectan son un campo de batalla por la hegemonía. (...) La guerra entre imágenes lo es también entre visiones contrapuestas de la sociedad. Y no sucede en abstracto, sino que tiene lugar en un sistema institucional. (…) Las narraciones historiográficas, aunque estén basadas en realidades, operan como ficciones. Los relatos que construyes como historiador, con la mediación de la institución, son enunciados que tienen efectos sobre la realidad del presente. Modifican también la percepción colectiva que se tiene del pasado. Las ficciones y el discurso no sólo reflejan la estructura de poder, sino que constituyen el propio poder por el que se lucha, especialmente hoy. (p. 103-104) 4. A jeito de conclus?o, quero aqui alinhar o que me parecem as li??es mais relevantes deste livro para o contexto português. Desde logo, há a advertência salutar de que os relatos propagados a partir das institui??es nunca s?o neutros. Mas também que, hoje, o ambito cultural n?o pode ser pensado fora do domínio do mercado como idílicos espa?os de liberdade, bons pelo mero facto de existir e por natureza imunes à mercantiliza??o, ao neoliberalismo e a outros males. Múltiplos exemplos (dos “museus-franquícia” à prolifera??o das bienais, da substitui??o da crítica de arte pelos ditados do mercado ao papel pioneiro do sector cultural na precariza??o das rela??es do trabalho) apontam para que as institui??es culturais n?o sejam por natureza espa?os democráticos e emancipadores. O repto lan?ado é, portanto, o de politizar (novamente) a cultura, o museu, e a história da arte, e o de reconstruir continuamente as condi??es de crítica cultural. O ponto mais importante para o caso português é talvez a necessidade de pensar em comum e a prazo. N?o bastam posi??es críticas individuais: é essencial articular um discurso crítico partilhado desde a própria cultura com a actua??o nas institui??es, enquadrado por um projecto comum e auto-consciente. Acabo por isso com a no??o de uma “cultura a três dimens?es” que Expósito define brevemente no seu prefácio (p. 18-19). E que consiste: 1. Os comportamentos, atitudes, valores e formas estéticas pelas quais uma sociedade se expressa, que se acumulam no tempo, mesmo se sujeitas à inova??o permanente; 2. A tradi??o de práticas que determinadas institui??es reconhecem como um exercício criativo legítimo: a história das artes ou da literatura; 3. As políticas públicas e regras escritas ou subentendidas que regem o funcionamento de um campo especializado (“a cultura”), com relativa autonomia frente ao resto da sociedade. Para uma revolu??o cultural cidad? é ent?o preciso articular estas três dimens?es: a cria??o de novos valores partilhados, a recupera??o crítica da nossa história criativa e o compromisso do campo profissional com o conjunto de mudan?a social. ////////////////////////////////// Nota do autor Em forma de anexo junto algumas referências a textos disponíveis pela net que podem ajudar a aprofundar estas quest?es. Manuel Borja Villel, “?Son libres los museos?”, El Cultural, 15 de Maio de 2015. http://www.elcultural.com/revista/arte/Son-libres-los-museos/36469 O MACBA disponibiliza dois textos do livro Objetos relacionales. Colección MACBA 2002-2007 (Barcelona: MACBA, 2010): “El museo interpelado”, de Manuel Borja-Villel (http://www.macba.cat/PDFs/borja_villel_colleccio_cas.pdf), e “Experimentos para una nueva institucionalidad”, de Jorge Ribalta (http://www.macba.cat/PDFs/jorge_ribalta_colleccio_cas.pdf). De igual procedência, um capítulo do livro Práticas artísticas y democracia agonística, de Chantal Mouffe (Barcelona: MACBA/UAB, 2007), aqui: http://www.macba.cat/es/practicas-artisticas-y-democracia-agonistica ////////////////////////////////// Referências 1. Neste sentido, a presente leitura é oposta à de Mariano Navarro, crítico de arte e comissário, em Campo de Relámpagos (http://campoderelampagos.org/critica-y-reviews/2016/4/21/una-ocasin-perdida-mariano-navarro). Ao contrário de Navarro, n?o considero que abrir o problema da cultura na crise para além dos especialistas seja análogo a “operarnos democráticamente y no quirúrgicamente,” nem que seja viável uma separa??o entre “ideas artísticas” e uma “superestructura” (política) que as envolve. N?o creio que é sustentável defender que “o político” tem uma rela??o meramente circunstancial com as institui??es culturais, e que no fundo pertence à esfera pessoal da ideologia de cada um. Desde tal perspectiva, no fundo uma varia??o sobre a ideia da contempla??o desinteressada, “o político” só de forma limitada pode ou deve incidir na programa??o cultural; e o livro resenhado n?o pode ser entendido sen?o como uma auto-complacente defesa de indevido imperialismo ideológico. 2. O papel da Gulbenkian na educa??o artística e nos museus, quer ao nível da prática, quer da investiga??o, dificilmente pode ser sobrevalorizado. Cabe lembrar, neste momento, que a Gulbenkian é uma institui??o que nos pertence tanto ou mais a nós todos como aos seus actuais administradores. Da obra resenhada reproduzo uma cita??o relevante, que entre outras tem a virtude de deslocar a quest?o de uma leitura meramente “moralista”, isto é, de boa ou má vontade dos gestores: “... una de las maneras en que se ha naturalizado este control [político] sobre las instituciones culturales por parte del binomio política-mercado es la forma en que se asume como normal la externalización [i.e. outsourcing] del trabajo del arte en empresas que precarizan el empleo, y en la forma en que se disocian la dirección museográfica de una institución y las decisiones políticas sobre su administración económica.” Ou seja, o museu, hoje, permite (no melhor dos casos) a crítica das condi??es que estruturalmente o sustentam, mas n?o mudá-las. Continua Borja-Villel: “en este aspecto se requeriría una conjunción entre la crítica y la capacidad de ejercer modificaciones políticas porque la correlación de fuerzas externas a la institución lo hiciera posible.” (p. 188). 3. Recordo que a crítica institucional, nascida da crítica radical às institui??es sociais dos anos 60 e 70, propunha tomar as institui??es da cultura, e especialmente os museus, como objecto de um olhar crítico, a fim de revelar as condi??es económicas, políticas e sociais que as condicionavam. A no??o de arte pública crítica (muito desenvolvida por Rosalyn Deutsche) engloba certas práticas artísticas que durante a década de 1980 intervieram no espa?o público para chamar a aten??o sobre fenómenos como a especula??o imobiliária, a exclus?o ou os conflitos provocados pelos processos de regenera??o urbana. 4. Estes episódios s?o largamente discutidos nas páginas 142-165. Os limites que a ideia da crítica institucional come?ava a demonstrar de forma clara no torno do milénio s?o discutidos a p. 187-188. 5. Borja-Villel: “Una institución pública tiene que reconocer como legítimas ciertas formas de conflicto que surgen en nuestra sociedad. (…) la función de un museo público no es legitimar una visión cultural de Estado ligada a los intereses de determinados partidos, ni debe servir para poner en valor solamente los intereses del establishment sobre la cultura. En realidad, una institución cultural ni siquiera es patrimonio exclusivo de los poderes públicos y de los sectores culturales. Es patrimonio de la ciudadanía. (…) Lo que un museo público tiene que hacer es ponerse al servicio de la complejidad real de la sociedad, ayudar a radicalizar la democracia mediante la cultura.” (p. 133). Nesta e nas seguintes páginas a quest?o da representa??o da cidadania na institui??o cultural é discutida com bastante pormenor, sem que no entanto seja respondida de forma definitiva. ////////////////////////////////// Imagens 1. Capa do livro: ?Conversación com Manuel Borja-Villel?, Marcelo Expósito, Madrid, 2015. Ediciones Turpial. 293 páginas, ISBN: 978-84-95157-80-5. 2. ?98 98?, Eloísa Ejarque, postais (2014), a documentar excertos da interven??o 12 Questions About Art, Robin Scholz, graffiti (2013) ////////////////////////////////// Gerbert Verheij Gerbert Verheij é investigador com forma??o em História da Arte. Escreve sobre arte e cultura. Actualmente está a finalizar uma tese de doutoramento, apoiada por uma bolsa da FCT. ///////////////////////////////// Ficha Técnica Data de publica??o: 20.07.2016 Etiqueta: Artes \ escritas Labels: ARTES (ESCRITAS), Gerbert Verheij, Manuel Borja-Villel, Marcelo Expósito, Museus, PENSAMENTO CRíTICO (POLíTICA) Older Posts Home Subscribe to: Posts (Atom) PUNKTO IS AN UN-DISCIPLINED MAGAZINE ABOUT LIMITS : OF PRACTICE, OF THEORY, OF POLITICS AND ARCHITECTURE AND IS BASED IN PORTO, PORTUGAL Newsletter arquivo / archive claire fontaine \ dossier Espa?o, saber e poder \ foucault devir menor \ Dossier Bestiário do imobiliário planos AMéRICA LATINA ARQUITECTURA ARQUITECTURA E POLíTICA EUROPA DESTRUI??O GEOGRAFIAS LISBOA NOSTALGIA PENSAMENTO CRíTICO PORTO PUNKTO REABILITA??O URBANA SAAL TERRORISMO . linhas A REVOLU??O COMO PROBLEMA TéCNICO AMADOR FERNáNDEZ-SAVATER Os paraísos artificiais de Studio Mumbai pedro levi bismarck Porque é que hoje nenhuma revolu??o é possível? 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